Os Cursos do LAEPI são atividades de extensão universitária que visam contribuir para a formação intercultural de estudantes, pesquisadoras e pesquisadores, professoras e professores de todos os níveis de ensino, profissionais e ativistas da sociedade civil sobre as temáticas estudadas e pesquisadas no âmbito do laboratório, notadamente: as culturas e formas de organização social e política dos povos indígenas, movimentos indígenas, políticas indigenistas e indigenismo no continente americano.

O LAEPI promove através de seus cursos o contato direto com pesquisadores e pesquisadoras, além de profissionais e ativistas dos direitos dos povos indígenas e estimula um espaço de aprofundamento teórico, conceitual, metodológico e crítico através do diálogo para inspirar outras trocas, colaborações e engajamentos.

 

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Minicurso agendas comparadas de pesquisa em antropologia e indigenismo no Brasil e no Canadá

04 de maio de 2018

Programação

Eixo 01: Indigenismo e Direitos Humanos: respostas dos Estados brasileiro e canadense a questões compartilhadas

Tópico 01 - 08:30h

"Indigenismo de reparação: pesquisa comparada sobre o (a)pagamento da dívida histórica do Brasil e do Canadá com os povos indígenas”

Clarisse Drummond Martins Machado – Doutoranda do ELA e Membro do LAEPI

Tópico 02 - 09:30h

"Antropólogos peritos e o sistema legal: Brasil e Canadá"

Dr. Gustavo Menezes - Doutor em Antropologia Social pela UnB, Coordenador-Geral de Identificação e Delimitação (Funai), Membro do Comitê de Inserção Profissional do Antropólogo/a - ABA, Membro do LAEPI, LAGERI e Moitará

Tópico 03 – 11:00h

“Autonomia Indígena no Canadá: o caso da Nação Cree de Eeyou Istchee”

Professora Doutora Ana Catarina Resende, Membro do MOITARÁ/UnB

Eixo 02: Territorialidade, autodeterminação e caminhos para a pesquisa antropológica no Canadá

Tópico 04 - 14:00h

“Caminhos para pesquisa em antropologia e indigenismo do Canadá; ética em estudos com povos indígenas; territorialidade e autodeterminação indígena; o trabalho de campo em Lac Seul e Slate Falls Nation; exposição de fotos e um mini-documentário ilustrativo da apresentação”

Prof. Dr. Frederico Barbosa de Oliveira – Lakehead University/Canada.

Tópico 05 – 16:30h

"Etnologia Indígena: Brasil e Canadá desde uma perspectiva comparativa"

Professor Dr. Stephen Grant Baines – DAN/UnB, Coordenador do LAGERI

Tópico 06 – 17:00h

“Protocolos de pesquisa com povos indígenas no Canadá e perspectivas para a antropologia colaborativa"

Professor Dr. Cristhian Teófilo da Silva – ELA/UnB, Coordenador do LAEPI

18:00 – Encerramento

 

 

Minicurso sobre etnicidade, raça e povos indígenas

27 de novembro de 2015, sexta, 14h - Módulo 1


Seminário: “Pueblos originarios, imaginarios politicos y mundos anticipados”

Prof. PhD. Martin Hébert (Université Laval)

Sala Professor Roberto Cardoso de Oliveira

CEPPAC
PMU II, 1º piso
Brasília, D.F.
70910-900

El presente seminario tiene come objectivo principal de examinar aportes actuales de la antropologia social, y en particular de la antropologia politica, al desarrollo de perspectivas comparativas relevantes al entendimiento de la situación socio-historica de los pueblos originarios de las Americas. Nuestra discusión sera divididas en una doble progressión : del examen de casos empiricos (Canada y Mexico en particular) hasta una discussión más téorica, y de perspectivas centradas en el estudio de problemas sociales hasta perspectivas centradas en el estudio de proyectos politicos positivos.

30 de novembro a 04 de dezembro de 2015 – módulo 2

“Multiculturalismo e gestão da diversidade nas sociedades contemporâneas“

Prof. Dr. Carlos Efrén Agudelo Alvarado (Université Paris VI Diderot)


Horário:    19h às 22h

Local:        CEPPAC, PMU II, UnB, Brasília, D.F., 70910-900

Inscrições gratuitas:

Até 20/11/2015, sexta-feira, na secretaria do PPG/CEPPAC, PMU II, UnB, 1º piso

Serão abertas 20 vagas para estudantes do PPG/CEPPAC; 10 vagas para estudantes de pós-graduação da UnB; e 10 vagas para a comunidade.

Apresentar identificação c/foto, comprovação de aluno regular e fornecer dados para contato.

Realização:

PPG/CEPPAC

LAEPI

LEIJUS

Apoio:

CAPES

CNPq

Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação - Universidade de Brasília

 

 

Curso de extensão "Índios das Américas: Áreas etnográficas"

 

Apresentação

Há mais de 40 anos, o Professor Emérito da UnB, Dr. Julio Cezar Melatti, publicou "Índios do Brasil"(Brasília: Coordenada/INL, 1970), livro destinado a oferecer informações básicas sobre as sociedades indígenas a pessoas não familiarizadas com a Etnologia. Desde sua primeira edição até hoje as pesquisas se multiplicaram e o conhecimento a respeito dessas sociedades cresceu consideravelmente. Nesse sentido, o antropólogo Julio Cezar Melatti vem elaborando nas últimas décadas, um trabalho que, ao invés de tópicos como economia, parentesco, política, religião, artes e outros, distribui as sociedades indígenas em áreas, como recurso didático que permite relacioná-las com situações específicas e ao mesmo tempo chamar a atenção para sua diversidade cultural. Os primeiros resultados estão disponíveis em sua página eletrônica no endereço: http://www.juliomelatti.pro.br/

É com o intuito de contribuir, em estreita parceria com o trabalho do Prof. Melatti, que o LAEPI realiza uma nova edição do curso!

Local

Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas (CEPPAC)

Brasília-D.F.

13 de janeiro de 2015 a 05 de março de 2015

Aulas às terças e quintas, das 14h às 17h


Cronograma de aulas

13 de janeiro

 

  1. Por que áreas etnográficas?
  • Cap. 1 - Por que áreas etnográficas?
  • Texto complementar 1: Contribuições ao conceito

O trabalho de sistematização de informações etnológicas atuais e qualificadas sobre povos e populações indígenas acompanha o próprio surgimento da Antropologia como disciplina e mobiliza pesquisadores, estudantes, profissionais e interessados, indígenas e não-indígenas, no mundo todo. A importância de se adotar critérios objetivos para a comparação e análise dessas informações e o conhecimento dela resultante deve-se, paradoxalmente, ao imenso desconhecimento e preconceito que as sociedades contemporâneas manifestam sobre os povos, culturas e histórias indígenas, lembrando que a maioria de nossas sociedades são originalmente indígenas ou decorrente de contatos entre povos europeus, africanos e asiáticos com as sociedades indígenas do passado e do presente. Além disso, saber distinguir o que é um fato para a Antropologia do que é opinião ou preconceito sobre os povos, culturas e pessoas indígenas é parte constitutiva do trabalho de todos os profissionais que trabalham com ou para os membros destes povos. Sendo assim, a noção de "áreas etnográficas" elaborada pelo antropólogo Julio Cezar Melatti contribui singularmente para facilitar o acesso às perguntas, respostas e problemáticas que antropólogos e indígenas vem formulando conjuntamente em décadas de pesquisa etnológica no continente americano, facilitando o entendimento histórico, geográfico, linguístico, demográfico, sociológico e, evidentemente, antropológico, sobre os povos indígenas. Diante disso, a razão mais importante que me ocorre para aprender sobre as áreas etnográficas é a necessidade urgente de descolonizar nosso imaginário acerca dos lugares comuns onde situamos os povos indígenas na contemporaneidade, além, claro, de utilizar as áreas etnográficas para aprender mais sobre nossa própria história e continente, porém, através de olhos e olhares indígenas e antropológicos.

O trabalho simultaneamente "cartográfico", "demográfico", "antropológico" etc. de Melatti constitui verdadeiro ato de reconhecimento dos povos indígenas contemporâneos corrigindo, com o auxílio das etnografias (o resultado monográfico do trabalho dos antropólogos sobre outras culturas), o "mapa mental" equivocado que fazemos, antropólogos ou não, sobre quem são, onde estão e como vivem os povos indígenas do continente americano. Para citar alguns exemplos nesse sentido, basta reparar nas "áreas culturais" de Eduardo Galvão (apud Melatti, A-8), pioneiro na sistematização por áreas da diversidade indígena no Brasil. Em seu "mapa", Galvão deixa em branco, refletindo o grau de desconhecimento da época, uma extensa área compreendendo o "sertão" brasileiro, região que hoje em dia é conhecida pelo dinanismo dos movimentos e processos de ressurgimento étnico ou etnogênese. Esta área é atualizada pelo trabalho de Melatti a partir das áreas etnográficas do Leste e Nordeste. Outra atualização importante refere-se às áreas etnográficas da América do Norte. Apesar dos cursos de graduação e pós-graduação em antropologia receberem forte influência da antropologia estadounidense é raro que a produção antropológica feita com povos indígenas nos Estados Unidos e Canadá, por exemplo, seja apresentada e discutida. Desse modo, e superando as classificações feitas nos próprios Estados Unidos, Melatti elabora a área "Oklahoma" que decorre da própria história indigenista dos Estados Unidos que adotou a transferência forçada de populações para um inventado "território índio" com o objetivo de assim "resolver o problema indígena". Finalmente, a elaboração do conceito de áreas etnográficas tem servido à própria concepção de políticas públicas de proteção territorial e educação diferenciada para os povos indígenas como se pode notar nas iniciativas de reestruturação do setor de identificação e delimitação de terras indígenas da FUNAI (ver Souza Lima e Barretto Filho, 2005) ou nos debates acerca da criação dos territórios etnoeducacionais desenvolvidos no âmbito da SECADI/MEC (ver http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17449&Itemid=817, acessado em 13/01/15)

Cristhian Teófilo da Silva

Bibliografia

SOUZA LIMA, Antonio Carlos de & BARRETTO FILHO, Henyo Trindade (orgs.). Antropologia e identificação: Os antropólogos e a definição de terras indígenas no Brasil, 1977-2002. Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria/LACED/CNPq/FAPERJ/IIEB, 2005.

  1. Nordeste (colaboração Clarissa Tavares)
  • Cap. 30 - Nordeste
  • Texto complementar 1: Povos indígenas no estado do Ceará  


Os dados referentes aos últimos censos do IBGE revelam, no estado do Ceará, um movimento ascendente quanto ao número de pessoas que se autoidentificam como indígenas. Em 1991, esse número era de 2.694 pessoas; em 2000, passou a 12.198; e em 2010, atingiu 19.336, o que equivale a cerca de 0,24% do total de habitantes do estado. Em 2010, o censo também revelou que 86% dessa população autodeclarada indígena vivia fora das terras indígenas. 

Esse último dado traz à tona a situação da regularização de terras no Ceará. A luta pela terra tem sido a principal reivindicação dos povos indígena do estado. Toda a movimentação política tem como propósito o reconhecimento do direito territorial, a partir do qual, os índios acreditam que terão acesso a políticas mais qualificadas de educação, saúde, segurança alimentar, produção agrícola etc.

No entanto, existe apenas uma terra indígena regularizada, em 2003, denominada Córrego João Pereira, do povo Tremembé, localizada nos municípios de Acarau e Itarema, com 3.162 hectares, cujo estudo antropológico foi coordenado pelo antropólogo Cristhian Teófilo da Silva. Além dessa, existem outras nove demandas em processo pela Funai, nas seguintes fases: três declaradas (Lagoa Encantada, Pitaguary e Tremembé de Queimadas), três delimitadas (Tapeba, Tremembé da Barra do Mundaú e Tremembé de Almofala), uma encaminhada a reserva indígena (Taba dos Anacé) e duas em estudo (Anacé e Mundo Novo/Viração), conforme demonstra a tabela 1.

Vale esclarecer que esse número corresponde às demandas com procedimento administrativo instaurado pela Funai, mas que os pedidos para reconhecimento de terras indígenas são, certamente, superiores. Um levantamento da Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAÍ) aponta a existência de 24 terras indígenas, incluindo 15 terras “sem providência”, ou seja, sem procedimento administrativo instaurado pela Funai. Para saber sobre as fases do procedimento administrativo de regularização de terras indígenas, consulte: http://www.funai.gov.br/index.php/indios-no-brasil/terras-indigenas

Tabela 1 – Situação das TIs no Ceará 

TERRA INDÍGENA

ETNIA

MUNICÍPIO

SUPERFÍCIE (ha)

FASE DO PROCEDIMENTO

MODALIDADE

Anacé

Anacé

Caucaia

0,0000

Em Estudo

Tradicionalmente ocupada

Córrego João Pereira

Tremembé

Acarau, Itarema

3.162,3901

Regularizada

Tradicionalmente ocupada

Lagoa Encantada

Kanindé

Aquiraz

1.731,0000

Declarada

Tradicionalmente ocupada

Mundo Novo/Viração

Potiguara

Monsenhor Tabosa, Tamboril

0,0000

Em Estudo

Tradicionalmente ocupada

Pitaguary

Pitaguari

Maracanaú, Pacatuba

1.727,8686

Declarada

Tradicionalmente ocupada

Taba dos Anacé

Anacé

Caucaia, São Gonçalo do Amarante

543,0000

Encaminhada RI

Reserva Indígena

Tapeba

Tapeba

Caucaia

5.838,0000

Delimitada

Tradicionalmente ocupada

Tremembé da Barra do Mundaú

Tremembé

Itapipoca

3.580,0000

Delimitada

Tradicionalmente ocupada

Tremembé de Almofala

Tremembé

Itarema

4.900,0000

Delimitada

Tradicionalmente ocupada

Tremembé de Queimadas

Tremembé

Acaraú

767,0000

Declarada

Tradicionalmente ocupada

Fonte: Funai/Janeiro de 2015.

Reconhecimento étnico

No Ceará, assim como em quase toda a região Nordeste do Brasil, as formas de ocupação do território aliadas à antiguidade dos processos de colonização levaram ao desaparecimento das línguas indígenas e à caracterização destas populações como de “pouca distintividade cultural”, ou culturalmente “misturadas” (PACHECO DE OLIVEIRA, 2004, p.14), alimentando, por muito tempo, uma forte crença da sociedade de que não existiriam mais índios no estado.

Tal comportamento tem embasamento na historiografia do período imperial. Em 09 de outubro de 1863, a população indígena do Ceará foi declarada extinta pelo então Presidente da Província, José Bento da Cunha Figueiredo Júnior, perante a Assembleia Legislativa Estadual. Na ocasião, foi apresentado, à Casa Legislativa, o Relatório Provincial de 1863, um extenso documento de 190 páginas, em que o presidente da província prestava contas de sua gestão no ano transcorrido. Sobre os aldeamentos de índios, o documento trazia a afirmação “já não existem aqui índios aldeados ou bravios”. Segundo Silva (2007), o documento é um marco da historiografia cearense e é considerado como o ato final do governo estadual relativo à “extinção” dos índios do Ceará.

Dessa forma, os índios cearenses vivenciaram, por mais de um século, processos de negação étnica por parte do Estado e da sociedade em geral. Eram considerados como extintos ou “indistinguíveis da população nacional” (Ribeiro, 1977), ou seja, caboclos diluídos na população sertaneja e litorânea local. Esse silenciamento sobre a existência dos índios no Ceará era presente também na esfera nacional, uma vez que a atuação dos órgãos indigenistas federais no Nordeste sempre foi direcionada, especialmente, para os estados da Bahia e Pernambuco. Até 1980, a Funai não reconhecia a existência de povos indígenas no Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.

Essa situação começa a mudar a partir das décadas de 70 e 80, com a reivindicação de caráter étnico de algumas populações, o que ocorre com o apoio de entidades ligadas à igreja.

SITUAÇÃO ATUAL - Existem atualmente 14 povos indígenas no Ceará (Anacé, Canindé, Cariri, Potiguara, Tabajara, Calabaça, Tupinambá, Jenipapo-Canindé, Pitaguari, Gavião, Tubiba-Tapuia, Tapeba, Tapuia-Cariri e Tremembé), que se encontram em distintos momentos nessa caminhada pelo reconhecimento étnico. Pode-se dizer que povos como Tapeba e Tremembé, por exemplo, possuem um reconhecimento étnico bem consolidado e uma interlocução mais articulada com os agentes do Estado, uma compreensão mais elaborada da política indigenista e do próprio movimento indígena; enquanto outros povos tais como o Anacé e Tubiba-Tapuia são povos que buscaram o reconhecimento étnico mais tardiamente, o que os coloca atualmente num processo de afirmação e reconhecimento dessa etnicidade ainda em formação, inclusive, diante das outras etnias e do movimento indígena.

Dentre os variados processos de formação do movimento indígena no Ceará, a luta pela educação escolar indígena foi (e continua sendo) uma importante ferramenta de articulação e amadurecimento político. Muitas lideranças se formaram nesse contexto e conseguiram conquistar alguns avanços. Hoje os índios contam com um curso de licenciatura intercultural voltada ao magistério indígena, 42 escolas da rede de ensino estadual destinadas aos povos indígenas e cerca de 350 professores indígenas (Diário do Nordeste, 2012) organizados na Coordenação dos Professores Indígenas do Ceará (COPICE).

Dois exemplos: Tapeba e Anacé

TAPEBA - Estudiosos afirmam que os Tapeba são oriundos de grupos Potiguara, aldeados pela missão de Nossa Senhora dos Prazeres de Caucaia, comandada pelos jesuítas entre 1741 e 1759. Com o fim da missão, os índios se fixaram na região.

Os Tapeba sempre tiveram uma presença significativa no imaginário social cearense. No entanto, foram vistos por muito tempo como remanescentes, descendentes dos antigos índios que, por um lado, não eram mais índios e, por outro, não tinham se integrado totalmente à sociedade.

Sua presença deixou de ser ignorada enquanto povo indígena quando a então Equipe de Assessoria às Comunidades Rurais – hoje, Equipe de Apoio à Questão Indígena – da Arquidiocese de Fortaleza passou a atuar no município de Caucaia, nos anos 80, “junto à coletividade dos assim denominados "Tapebas" - ou ainda, "Tapebanos" (que é uma locução adjetiva para "do Tapeba", "da lagoa do Tapeba"), ou mesmo "Pernas-de-Pau" (numa referência ao apelido de um ancestral de um segmento dessa coletividade, ao qual comumente remontam ao traçarem sua genealogia)” (Barretto Filho, 1994, p.3).

Eles se distinguiam do restante da população regional por essa denominação de “Tapeba”, que significava mais que o nome de um povo, um local de residência e uma origem comum. Tapeba também é um topônimo. É o nome de um riacho e de uma lagoa situada na área onde essas pessoas costumavam residir e transitar.

Contam os Tapeba de hoje que seus pais e avós eram vistos pelos outros moradores de Caucaia com inferioridade. Havia um estigma na denominação Tapeba, utilizada de forma pejorativa para designar os que “viviam na mata”, os “comiam carne podre”. Em entrevista realizada com o cacique Alberto, da aldeia Sobradinho, em abril de 2014, destaquei duas falas, uma que revela suas lembranças da infância que lhe apontam o sentido do que é ser índio e outra sobre como ele se tornou uma liderança.


Nós queremos a nossa terra, para viver a vida, criar os filhos, os netos, os bisnetos. Deixar a terra livre que nem era antigamente. Eu me lembro, sou de 1948, que eu andava com meu pai nas terras... a mamãe pariu de uma irmã minha, aqui na beirada desse rio Ceará e o umbigo dela foi cortado com o talo dessas carnaúbas, quebrou ela, abriu as bandas, pegou o umbigo da menina, cerrou e amarrou com a embira da mesma palha. Ele disse “repare” botou uma folha de coaçu na mamãe, cobriu aqui e deixou a nega pro lado de fora e cortou o umbigo dela e disse “repara pra quando você for cortar os seus” e eu ainda cortei o umbigo de dois. Aí a mamãe deixou a menina lá enrolada na folha, na beira do rio, e foi pescar. Aí não aguentou e ele deu uma folha que tem no mangue e a menstruação sobe e aí quando chegou em casa, ele me ensinou tudim, tomava a folha da castonhola vermelha e a menstruação volta. Era muito bom nesse tempo. Mamãe tinha o cabelão grande, uma negona forte. Tu pensa que usava shampoo? Era o lodo de umas raízes que descem pra água que ela passava no cabelo até embaixo. Hoje quem pode fazer um negócio desses? Ali a gente pescava, daquela água a gente bebia, não tinha problema. Hoje quem quer beber uma água dum buraco daquele? Naquele tempo era muito bom demais. Não tinha essa poluição, tinha muita comida, não tinha tanta miséria que tem hoje, ninguém ouvia se falar de uma morte, de um assalto. (Cacique Alberto, da aldeia Sobradinho, em abril de 2014).

- Como o senhor foi tomando consciência de ser índio, de participar desses movimentos, dessa luta pela terra...

Eu fui cacique com dois anos de idade porque meu pai já tinha passado isso pra mim. Antes dele morrer, ele me falou que ele me escolheu com dois anos pra ser cacique da tribo. O nome se dava Potiguara, mas devido o povo botar apelido, colocaram Tapeba que era pra nós não ter direito à terra, o povo branco, os latifundiários. Quando comecei a me criar no mundo, papai já dizia: “ó, meu filho, isso aqui, essa terra toda era nossa, começando ali pelo Lamarão, pelo Jardim do Amor, por ali ele me mostrava. Do Frifor pra cá era nosso, a Barra do Ceará, Iparana, Cumbuco, Caucaia tudo nós fazia parte ali. Tudo era nosso. Ele já dizia que nós era um povo que tinha direito a essa terra. Antes do dia que ele foi pra morrer, ele me avisou tudim. Com dois anos antes, ele vinha batendo nisso aí pra eu conhecer a área todinha. Nesse tempo eu já era pai de família, já tinha dois filhos e ele ia me passando, me passando que nós somos um povo indígena. E eu perguntava “papai, que povo é esse?” e ele dizia “nós somos filho daqui. Somos filho natural de Soure, filho de Mata Queimada”, que passou a Soure e depois a Caucaia. Somos filho daqui e não viemos de outro canto. (Cacique Alberto, da aldeia Sobradinho, em abril de 2014).

A área da missão de Nossa Senhora dos Prazeres era de 60 mil hectares. Já a Terra Indígena (TI) Tapeba tem atualmente 5.838 hectares e foi delimitada em 2013. Em 1997, a TI Tapeba foi oficialmente declarada, pelo governo federal, como de direito dos índios. Porém, no ano seguinte, a declaração foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que julgou um mandado de segurança do município.

ANACÉ – Segundo Santos (2013), a autoafirmação étnica Anacé teria se iniciado em 1998, três anos após o início das obras de edificação do Porto do Pecém, quando foram desapropriadas cerca de 300 famílias que moravam próximas à faixa da Costa do Pecém. O porto faz parte de um projeto mais amplo denominado Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), que compreende, além do porto, a construção de refinaria, siderúrgica, termoelétrica, entre outros empreendimentos.

Foi no processo de resistência às desapropriações das terras de famílias da região que a identidade do povo indígena Anacé despontou publicamente. Diante da possibilidade de remoção, muitas famílias começaram a recontar histórias, que pareciam adormecidas na memória coletiva. Segundo parecer técnico do Ministério Público Federal no Ceará:

[...] não é de se estranhar que a emergência da afirmação étnica dos Anacé tenha se dado a partir do risco de serem removidos de suas terras. Na verdade, não haveria porque essa afirmação étnica ter se dado antes, quando eles estavam tranquilos em suas terras e a carga semântica relacionada ao designativo “índio” era propulsora somente de estigma e preconceito. [...] Até recentemente, a estratégia de sobrevivência para os Anacé era ocultar sua identidade indígena, assim como hoje – após a virada histórica produzida pelo reconhecimento da Carta Constitucional de 1988 do direito dos povos indígenas à diversidade cultural e à sua terra tradicionalmente ocupada – é a afirmação da sua identidade. (BRISSAC, 2008).

Ao reconstituir a história dos Anacé, Santos (2013) conta que esse processo de autoafirmação étnica surge após uma atuação da Pastoral do Migrante que chegou até as comunidades da região pelas denúncias de arbitrariedade do governo nas ações de desapropriação pelas obras do Porto do Pecém. De início, a Pastoral centrou sua atuação sobre os jovens de algumas comunidades que foram incentivados a participar de uma atividade que visava colher informações sobre a história daquela gente, os hábitos e as lembranças. Diante dos dados registrados na pesquisa dos jovens, percebeu-se a emergência de conteúdos do universo indígena Anacé.

Desses dados, a Pastoral do Migrante, com apoio da população que participou direta e indiretamente da gincana, produziu o livreto Nunca Desista, Lute até o Fim: Construindo Nossa História. Documento que acabou redimensionando o movimento político local e produzindo inflexões importantes por transpor a característica de “associação de moradores atingidos” para a de um “grupo indígena organizado” (Santos, 2013).

Atualmente, o Conselho Indígena do Povo Anacé de São Gonçalo do Amarante e Caucaia (CIPASAC) e a Comissão da Terra constituem as organizações mais atuantes nas comunidades. Ambas trabalham no sentido de promover os direitos indígenas, especialmente à terra, e de promover uma articulação com outras entidades e representações do movimento indígena estadual e nacional como, por exemplo, o Ministério Público Federal, instituições religiosas e acadêmicas e organizações não-governamentais (Santana et al, s/d).

Nessa disputa por direitos territoriais, o apoio do Ministério Público Federal foi fundamental. Em 2003, o MPF acionou a Funai para a realização dos estudos de identificação da terra indígena. Hoje, parte das comunidades Anacé negociou a saída da área em que vive para uma reserva indígena de cerca de 500 hectares.

Em 2008, os Anacé contabilizavam cerca de 403 famílias e 1.282 pessoas, distribuídas em cinco aldeias principais (Santos, 2013).

Clarissa Tavares

Referências

BARRETTO FILHO, Henyo Trindade. Tapebas, Tapebanos e Pernas-de-Pau de Caucaia, Ceará: da etnogênese como processo social e luta simbólica. Série Antropologia, 1994.

BRISSAC, Sérgio. A etnia Anacé e o Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Parecer Técnico n° 01/08. Ministério Público Federal, Fortaleza, 2008.

DIÁRIO DO NORDESTE, 20.01.2012. População indígena no Ceará tem 22 mil índios que ainda lutam por território.

PACHECO DE OLIVEIRA, João. Uma etnologia dos “índios misturados”? Situação colonial, territorialização e fluxos culturais. In: OLIVEIRA, João Pacheco de (org.). A viagem da volta: etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. 2. ed. RJ: Contra Capa, 2004.

RIBEIRO, Darcy. Os índios e a Civilização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977. 

SANTANA, Iara Vanessa Fraga et al. A Luta Anacé frente aos “imPACtos” industriais, s/d.

SANTOS, Potyguara Alencar dos. Reelaboração étnica e novas redes de desenvolvimento no Nordeste brasileiro: A etnogênese Anacé e os projetos de grande escala da Costa do Pecém (CE). Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília, 2013.

SILVA, Isabelle Braz Peixoto da. Povos Indígenas no Ceará: Organização, memória e luta. Fortaleza: Editora e Gráfica Ribeiro's, 2007.

  1. Leste

15 de janeiro

 

  1. A "Ilha" Guianense (colaboração Stephen Baines)
  2. Guianense Oriental
  3. Guianense Ocidental
  4. Litoral Guianense
  5. Llanos

20 de janeiro

 

  1. Atlanto-Platina: Guarani (colaboração Wildes Andrade)
  2. Atlanto-Platina: Jês do Sul
  3. Chaco

22 de janeiro

 

  1. Anel Tupi
  2. Amazônica Oriental
  3. Amazônia Centro-Meridional

27 de janeiro

 

  1. Aripuanã
  2. Mamoré-Guaporé
  3. Mojos e Chiquitos

29 de janeiro

  1. Tocantins-Xingu (colaboração Cristhian Teófilo da Silva e Marcela Coelho)
  • Cap. 29 Tocantins-Xingu
  • Texto complementar 1: Tapuio
Os Tapuios são descendentes dos Akwen do Brasil Central, falantes de línguas Jê e Macro-Jê como os Xavantes, Xerentes, Karajás e Bororos. Do século XVIII ao XIX os antepassados dos Tapuios foram forçados a viver em "aldeamentos" (campos de trabalho e aculturação forçada instaurados pelos colonizadores portugueses e mestiços para povoamento e exploração da colônia). O principal propósito dos aldeamentos era o de liberar as terras indígenas para exploração de ouro, especiarias e cultivos agrícolas, conjugada à própria transformação dos índios em escravos e força de trabalho.
 
O aldeamento como aparato civilizatório foi criado no século XVIII pelo administrador colonial Marquês de Pombal quem elaborou o "Diretório dos Índios" com vistas a estabelecer um modo mais "dócil" de integrar os povos indígenas a sociedade colonial. Na prática, tratava-se de um modo de substituir táticas genocidas e apresamento dos índios em práticas etnocidas de transformação dos índios em escravos e súditos.
 
Povos indígenas como os Akwen foram aldeados no século XVIII e submetidos a tais práticas assimilacionistas e os Tapuios contemporâneos são herdeiros desses esforços de transformação dos índios "selvagens" em "trabalhadores cristãos e civilizados". Com o declínio da economia aurífera colonial, para não falar na sucessão de regimes politicos (em 1822 o Brasil abandonou seu status de colônia de Portugal - o que não significou necessariamente descolonização, pois tornou-se uma monarquia independente; e em 1889 tornou-se uma república), os aldeamentos foram abandonados e praticamente esquecidos pelos centros de decisão política nacional. Durante esse período de abandono, os antepassados dos Tapuios criaram seus modos próprios de organização social, manutenção econômica e identificação étnica e cultural misturando-se com populações vizinhas, negras, mestiças e brancas, constituindo a seu modo, um modo de vida tradicional e sua própria identidade intercultural.
 
Políticas desenvolvimentistas do século passado, como a “Marcha para o Oeste”, as Colônias Agrícolas (CANG’s), a construção de hidrelétricas etc., associadas a práticas de expropriação e grilagem de terras, alcançaram e afetaram os Tapuios em diferentes momentos de sua história. Desse modo, os Tapuios, que então se identificavam como "descendentes de índios Karajás, Javaés e Xavantes" até os anos 80 do século XX, foram então compreendidos pelos indigenistas da Funai como "aculturados" e classificados sob a categoria legal de "integrados", uma vez que se apresentavam como falantes da língua portuguesa, adeptos de religiões cristãs, fenotipicamente parecidos com populações rurais negras e mestiças regionais e com uma economia basicamente indistinta da economia camponesa regional.
 
A obtenção de provas técnicas de que os Tapuios seriam "índios reais" foi assumida como uma condição para que ações indigenistas fossem implementadas e, por essa razão, os Tapuios se viram sem seus direitos diferenciados de acesso à terra, à educação e à saúde por mais de trinta anos desde o contato deles com o órgão indigenista. Quando a terra indígena foi oficialmente reconhecida e regularizada e a condição indígena dos Tapuios confirmada antropologicamente, surgiram projetos de educação e saúde para sua comunidade sob a orientação dos princípios constitucionais da Carta de 1988.
 
Cristhian Teófilo da Silva
 
Bibliografia
 
JORDÃO, Humbold. Terras indígenas: área indígena Carretão. 1993. 220f. Dissertação (Mestrado em Direito Agrário)−Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 1993.
 
LAZARIN, Rita Heloisa de Almeida. O aldeamento Carretão: duas histórias. 1985. 232 f. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social)−Universidade de Brasília, Brasília, 1985. 
 
MOURA, Marlene Castro Ossami de. Les Tapuios du Carretão: ethnogenèse d’un groupe amérindien de l’Etat de Goiás (Brésil). Goiânia: Ed. da UCG, 2008. 
 
TEÓFILO DA SILVA, Cristhian. "Parados, bobos, murchos e tristes" ou "caçadores de onça"? Estudo sobre a situação histórica e a identificação étnica dos Tapuios do Carretão/GO. 1998. 67f. Dissertação (Graduação em Ciências Sociais)–Universidade de Brasília, Brasília, 1998. <http://periodicos.unb.br/index.php/interethnica/issue/view/877>. Acesso em: 02 fev. 2015.
 
TEÓFILO DA SILVA, Cristhian.  Borges, Belino e Bento: A fala ritual entre os tapuios de Goiás.  São Paulo: Annablume, 2002.
 
Webgrafia
 
 
  • Texto complementar 2: Avá-Canoeiro
Os Avá-canoeiro, estimados em 25 pessoas (Toral, 2002) na década de 80, ocupavam as áreas pouco povoadas na Ilha do Bananal (Tocantins), nas serras do município de Cavalcante (Goiás) e nas serras próximas aos rios Urucuia e Carinhanha (Minas Gerais). Todas estas localidades faziam parte de suas terras de ocupação tradicional no Brasil Central.  No ano de 1973, seis avá-canoeiros foram contatados na Ilha do Bananal e destes apenas quatro sobreviveram após o contato. Atualmente, os sobreviventes e seus descendentes, em um total 15 de pessoas, vivem em aldeias dos índios Javaé sob a assistência precária da Fundação Nacional do Índio (Funai). No alto rio Tocantins (também designado Maranhão), quatro avá-canoeiros entraram em contato com moradores regionais em 1983 e passaram a ser assistidos pela Funai a partir de um convênio celebrado com a SEMESA.
 
Os Avá-canoeiro são hoje os sobreviventes de grupos já desmembrados de aldeias maiores. As unidades sociais de onde vinham eram, coincidentemente ou não, as famílias nucleares (pai, mãe e seus filhos) associadas a um filho do irmão ou da irmã e uma irmã (da mãe). Desse modo, as estratégias de resistência dos Avá-canoeiro podem ser interpretadas como uma espécie de redução da sociedade em seu conjunto a versões atomizadas. Essa reconfiguração social nos obriga a reconhecer que por mais que a depopulação decorrente do genocídio tenha tido consequências específicas sobre a vida social dos Avá-canoeiro, impossibilitando-a segundo os moldes tradicionais, ela não limitou a possibilidade de eles reviverem, tanto quanto possível, a tradição nos moldes de suas coletividades atomizadas, ou seja, os sobreviventes avá-canoeiros reorganizaram-se em grupos locais que se tornaram suas comunidades efetivas e afetivas de vida.
 
A Terra Indígena Avá-Canoeiro situa-se a 26 quilômetros da cidade de Minaçu, norte do estado de Goiás, e se interliga a esta por uma estrada asfaltada construída para facilitar o acesso à barragem da hidrelétrica de Serra da Mesa. Do asfalto ao Posto Indígena percorre-se uma distância de 12 quilômetros em estrada de terra que serpenteia morros, atravessa fazendas de gado e campos de cerrado. Um sistema de vigilância, constituído por barreiras com funcionários, portões e cadeados, obstrui o trânsito de veículos de pessoas não autorizadas à área próxima ao local onde vivem atualmente os Avá-canoeiro. Desse modo, o acesso de visitantes, pesquisadores ou funcionários a este grupo se dá mediante o transporte feito pelos funcionários do programa e com a autorização do chefe do Posto Indígena.
 
Cristhian Teófilo da Silva
 
Bibliografia

RODRIGUES, Patrícia de Mendonça. “Os Avá-Canoeiro do Araguaia e o tempo do cativeiro”. Disponível em: http://www.dan.unb.br/images/pdf/anuario_antropologico/Separatas%202012_I/Os_Ava-Canoeiros_do_Araguaia_e_o_tempo_de_cativeiro_%20Patricia.pdf Acessado em 02.fev.2015
 
TEÓFILO DA SILVA, Cristhian. “O regime tutelar na formação do índio: Aspectos da sobrevivência e da sociabilidade dos Avá-canoeiro sob um programa do indigenismo empresarial”. Disponível em: < http://www.dan.unb.br/images/pdf/anuario_antropologico/Separatas%202009_II%20Dez%202010/O%20regime%20tutelar.pdf> Acessado em 02.fev.2015
 
TEÓFILO DA SILVA, Cristhian. 2005. Cativando Maíra: A sobrevivência avá-canoeiro no alto rio Tocantins. Tese de Doutorado em Antropologia Social, Brasília, PPGAS/DAN/UnB.
 
TORAL, André. 2002. Verbete Avá-Canoeiro. Disponível em http://www.socioambiental.org/website/pib/epi/ava/ava.htm. Acessado em 19/03/2002.
 
TORAL, André. 1984/1985. “Os índios negros ou os Carijó de Goiás: A história dos Avá-Canoeiro”. Revista de Antropologia, 27/28: 287-325, São Paulo, USP.
 
TOSTA, Lena Dias. 1997. “Homi matou papai meu”: Uma situação histórica dos Avá-Canoeiro. Dissertação de Bacharelado em Ciências Sociais, Brasília, UnB.
 
Webgrafia
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Av%C3%A1s-canoeiros
 
http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ava-canoeiro
 
  1. Alto Xingu (colaboração Marcela Coelho)
  2. Alto Juruena

03 de fevereiro

 

  1. Noroeste Amazônico
  2. Alto Amazonas (colaboração Liliana Salvo)
  3. Cab. do Caquetá e Putumayo
  4. Amazônia Extremo-Ocidental

05 de fevereiro

 

  1. Juruá-Purus
  2. Juruá-Ucayali (colaboração Felipe Lucena)
  3. Alto Ucayali
  4. Beni

10 de fevereiro

 

  1. Andes Setentrionais
  2. Andes Centrais (colaboração Sandra Nascimento)
  3. Austral (colaboração Sandra Nascimento)

12 de fevereiro

 

  1. Sta. Marta-Guajira-Perijá
  2. Darién-Guayaquil
  3. Borda Ocidental do Caribe

17 de fevereiro (terça-feira de Carnaval)

19 de fevereiro

  1. América do Norte (Introd.) (colaboração Stephen Baines)
  2. Mesoamérica

24 de fevereiro

  1. Sudeste
  2. Costa Oriental
  3. Grandes Lagos

26 de fevereiro

  1. Planícies
  2. Oklahorma
  3. Sudoeste

03 de março

  1. Grande Bacia
  2. Califórnia
  3. Platô
  4. Costa do Noroeste

05 de março

  1. Hudson-Labrador (colaboração Cristhian Teófilo da Silva)
  2. Mackenzie-Yukon
  3. Ártico

Para mais informações sobre as áreas etnográficas ver:

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15/12/2014 a 09/01/15

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